Seria uma atenuação dizer que Momsen passou pelo inferno para fazer este álbum. O apropriadamente chamado Going To Hell, segundo álbum da The Pretty Reckless, estava sendo gravado no Water Music Recording Studio em Hoboken, New Jersey quando o estúdio foi destruído pelo furacão Sandy em outubro de 2012. Muitos equipamentos e gravações foram perdidos, a banda teve que regravar muitas músicas que estavam trabalhando naquele tempo. O álbum finalmente foi lançado em 18 de março pela Razor & Tie; agora Taylor Momsen sentou com a gente para falar sobre as músicas, a história por trás da capa do álbum e mais.

Eu gosto de que o vídeo de “Heaven Knows” é como um retrocesso. É como algo que eu via na MTV quando estava crescendo. Você pode me contar um pouco sobre a história por trás da música?

Obrigada! Essa era minha intenção! Era mais ou menos “Smells Like Teen Spirit” com “The Wall”. Nós filmamos o vídeo em dois dias. Eu fui a codiretora com Jon J., que é uma nova pessoa com quem trabalho. É mais ou menos um comentário social sobre o que está acontecendo no mundo hoje em dia, assim como o que aconteceu no passado. Muitas imagens e metáforas foram usadas, muitos detalhes sutis que provavelmente não são notados na primeira vez que assiste. Mas quanto mais você olha para as coisas que estão acontecendo no fundo, está tudo lá no vídeo.

É, eu acho que foi isso que gostei. De volta aos dias que assistia os vídeos várias vezes, mas hoje em dia é apenas grandes orçamentos e pornô de dinheiro.

É, esse não é assim. (risos) É muito pensado! Estou contente que notou.

Vocês passaram por muita merda para lançar este álbum que você deve estar bem ansiosa para isso. Tem alguma faixa em particular que você está morrendo de vontade de lançar?

Estou animada para todo o álbum… então, todas elas? Se eu tivesse que escolher uma, no momento eu diria “Sweet Things”, é definitivamente uma da minhas favoritas. Nós tocamos “Sweet Things” algumas vezes na última turnê, mas estou ansiosa para as pessoas escutarem a gravação real. A faixa “House On A Hill” é épica. O álbum inteiro foi escrito para ser escutado do início ao fim. Tem temas em comum que correm pelo álbum e contam uma história quando são colocados juntos, então é difícil escolhê-las individualmente. Mas nós certamente passamos por muito para fazer isso e acho que isso é mostrado e reflete o tempo que gastamos.

Você disse que tem temas recorrentes no álbum, é assim que você escreve? Ou você escreve as coisas separadamente?

Bem, como uma compositora, pelo menos para mim, estou sempre escrevendo, então na verdade são as próprias músicas ditando para onde estão indo. Quando você vai escrever algo, não vai com a intenção, mas quando está escrevendo um álbum ele parece começar a se desenvolver naturalmente e começa a ser criado. Então as músicas começam a criar a coisa e então você meio que continua com aquilo. Isso é o tipo de coisa interessante sobre álbuns, a maneira como contam uma história. Esse álbum em particular captura um momento e isso está refletido nas músicas.

Se passou alguns anos desde o seu primeiro álbum; devem ter muitas diferenças entre Light Me Up e Going To Hell!

Sim e não. Foi feito de uma forma diferente, mais maduro. Estou cinco anos mais velha e agora já estive em todo o mundo, então a turnê pelo mundo definitivamente mudou minha perspectiva, não apenas da minha vida mas de tudo também. Acho que isso está refletido neste álbum. Ele soa mais sério… Essencialmente se trata de que eu não tenho mais 15 anos, eu soo mais séria! (risos) Engraçado como é, é a verdade. As coisas sobre quais estou escrevendo agora são mais pensativas do que os assuntos sobre os quais eu escrevia com 15. Eu definitivamente aprendi muito mais do mundo do que eu sabia quando tinha 15, e acho que você pode ouvir isso em Going To Hell.

Você começou a escrever quando era muito nova, então deve ser incrível que fãs tatuem suas letras em seus corpos!

É a coisa mais louca de todas, e são muitos e muitos deles que estão fazendo essas tatuagens. Tenho visto mais e mais delas. Isso é um grande compromisso, então tudo que tenho a dizer é muito obrigada. Eu preciso ter certeza que estou escrevendo letras boas o suficiente para você gostar dela dois anos depois. Mas sério, é um sentimento inacreditável de saber que criei algo com que as pessoas se conectam tanto que querem pintar permanentemente em seus corpos. Não tatue minhas letras que são uma merda, tatue apenas as boas! (risos)

Eu realmente admiro sua atitude firme quando se trata de seu estilo pessoal. O quanto você acha que a moda é importante para a música?

Acho que moda e música sempre foram conectados. Bandas como The Clash, The Beatles e Zeppelin todas usavam moda para ajudar as pessoas a entenderem sua música e seu som. Você tem que dar uma imagem para ir com o som para as pessoas entenderem. Eu tenho uma visão muito direta e ela tende a se desenvolver e mudar, obviamente, como eu, mas é sempre a minha visão e se não é, que se foda!

Você sempre tem comentários jogados em você sobre o jeito que se veste, mais recentemente sobre a capa do álbum Going To Hell. Por que você acha que as pessoas ainda tornam uma grande coisa sobre mulheres no rock e sexualidade das mulheres?

Eu não sei, para ser honesta, porque eu posso ver o pau do Robert Plant quando assisto vídeos velhos do Zeppelin e ele fica sem camisa… então até agora estou interessada que ele já esteve mais pelado no palco do que eu! (risos) Mas é a mesma coisa que moda; sexualidade é uma parte da música, porque a música é tão auto emotiva. É o seu corpo, é a sua alma, é seu tudo. Portanto meu corpo é uma parte disso também. Como para a capa do álbum, eu acho que as pessoas levaram de uma maneira errada. Para mim era para ser uma obra de arte icônica. Eu não especificamente coloquei meu rosto na capa. É feito para ser sobre a cruz e de ela ser uma afirmação sobre ir para o inferno. Está dizendo que eu não tenho nada. Eu fui livrada de todas as posses pessoais e posses materiais porque elas não tem valor. Você vem a este mundo com nada e sai dessa terra com nada a não ser sua alma. Por que cobrir isso com outra coisa?

E foda-se, vamos ser honestos, eu só arranquei a foto do Pink Floyd e o álbum do Eric Clapton que eu amo. (risos) Mas nas palavras de Picasso, artistas bons pegam emprestado, ótimos artistas roubam. Então eu roubei e refiz. Digo, olhe E.C Was Here. Eu não estou fazendo coisas que não foram feitas antes; Estou refazendo de um jeito diferente. Tem apenas 12 notas, então tudo vai ser repetido de algum jeito, você apenas tem que fazer do seu jeito e pegar de onde pessoas que você ama pararam e tentar criar algo novo.

Você citou The White Stripes como a banda que deflagrou isso para você depois que seu pai te levou para um dos shows deles.

Isso fica confuso as vezes, mas na verdade foi meu pai que começou tudo isso. Ele me levou ao show dos White Stripes. The White Stripes realmente me fez levar isso para casa porque foi o primeiro show de rock ‘n’ roll que eu fui então eles realmente levaram ao limite, mas para o mim meu deflagrou tudo no dia em que ele me levou do hospital para casa. O dia em que nasci eles me levaram para casa escutando The Beatles no carro! Mas o show foi elétrico, eletricidade estava correndo pelas suas veias quando se está em um show de rock pela primeira vez e escutando o quão alto são aquelas guitarras e sentindo a energia da audiência… Eu estava muito a fim daquilo antes disso.

Eu admiro que você deixa mantêm sua vida pessoal e foca estritamente na música. Você acha a conexão com pessoas da mídia social assustadora?

Acho que é um catch-22. A mídia social é uma ótima ferramenta para usar como artista e banda para se conectar com seus fãs e os dar informação e deixá-los saber o que você vai fazer. Mas no final do dia, os fãs precisam se importar com a música, ao contrário não importa. Eu tenho sorte de meus fãs não especularem sobre minha vida pessoal.  Eu disse muitas vezes que não estou aqui para falar sobre mim, estou aqui para escrever músicas e espero que elas se conectem com você de alguma maneira.

Parece que toda essa coisa de renascimento do rock está perto com seu novo álbum. Como você se sente sobre a eletrônica estar voltando à música ultimamente?

Eu acho que qualquer tecnologia, como a guitarra elétrica, por exemplo, pode ser bem usada ou mal usada. Sempre teve tecnologia na música; Sendo uma fita ou digital, ainda sim é uma forma de tecnologia. Tem que vir de algo melhor que um computador. Você não pode deixar o computador fazer sua arte para você. E tem alguns artistas que deixem, e alguns que não. Muse usa isso muito bem. Eles usam isso para criar uma forma de arte que você nem nota que eles estão integrando tanta tecnologia nela. E tem outros que… não fazem isso muito bem.

O que está a vir em 2014?

Muita turnê, esperançosamente mais vídeos. Estamos nos arrumando para deixar a Europa para começar a turnê gigante. Então muita turnê para Going To Hell, muita imprensa, vídeos, tudo isso. Estamos começando a trabalhar no novo álbum porque tivemos tanto tempo desde Going To Hell então tenho sentado por ai e estou pronta para voltar para o estúdio!

Tradução por Taylor Momsen Brasil.

Escrito por Lívia Lino | 20/03/2014 | Categorias: Entrevistas
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