Taylor Momsen, outrora a estrela da série televisiva “Gossip Girl” e vocalista da banda de rock The Pretty Reckless, diz que a diferença entre o álbum de estréia do grupo em 2010, “Light Me Up”, e seu novo álbum, “Going To Hell”, é simples: Experiência.

No tempo entre os discos, a banda de quatro integrantes percorreu em shows incansavelmente e se deteve sobre um som. Momsen deixou a atuação completamente para se concentrar na música e, fez outra coisa, ela diz: Cresceu. Talvez seja essa maturidade que fez do disco um sucesso tão grande.

Enquanto “Light Me Up” alcançou a posição 65 em álbuns da Billboard, mal atingiu o Top 20 Rock Albums e foi amplamente visto como um outro projeto onde uma atriz virou música, “Going To Hell”, lançado em março, chegou no top 5 da Billboard e ficou em 2º lugar na parada de álbuns de rock. Isso produziu o 1º lugar do Mainstream Rock hits com “Messed Up World”, um pouco higienizada para a rádio, e “Heaven Knows,” que ficou 18 semanas no topo e foi a música em primeiro lugar no chart em 2014.

Isso fez da The Pretty Reckless a segunda banda liderada por uma mulher a ter dois hits consecutivos em primeiro lugar em uma rádio de rock – o último foi The Pretenders com Chrissie Hynde em 1987.

Em um telefonema recente de um lugar não revelado da Inglaterra, onde ela estava ensaiando com sua banda, Taylor Momsen falou sobre o novo disco, o crescimento da The Pretty Reckless e o futuro. Segue uma transcrição da ligação:

Taylor Momsen: Alô?

LEHIGH VALLEY MUSIC: Olá, Taylor. Como você está?

TM: Oi, eu estou bem. E você?

LVM: Muito bem, obrigado. Então me diga sobre o [novo] álbum “Going to Hell.” Diga-me sobre o que é, como você veio com ele.

TM: Este disco foi escrito muito como um registro da banda em comparação com ” Light Me Up” [álbum de estréia do grupo em 2010) no sentido em que há mínima produção no disco. É muito honesto, é muito direto. É guitarras-baixo-bateria-vocal e é isso – muito poucas batidas e sons. O que inevitavelmente o tornou mais pesado – o que naturalmente ocorreu porque, depois da turnê ‘Light Me Up’ por 2 anos e meio, nós quatro nos tornamos muito unidos como banda ao vivo. E assim, eu acho, o disco capta bem como nós soamos. Nós realmente nos detivemos sobre um som neste disco, e eu acho que definitivamente é muito representativo da banda que somos hoje. Tipo, em “Light Me Up”, eu escrevi a música “Make Me Wanna Die” quando eu tinha 15 anos de idade. Tinha 15 anos naquele disco, hoje tenho 21. Portanto é definitivamente muito mais maduro. Ele entra em tópicos muito maiores, eu acho. É muito pessoal porque depois de rodar o mundo fazendo turnê e ver tudo isso com seus próprios olhos, que só muda a porra da sua perspectiva de vida, e esse álbum definitivamente fala muito sobre as questões sociais e políticas do desequilíbrio das estruturas de poder e do funcionamento de tudo. Porque, francamente, em turnê pelo mundo, você vê tudo isso com seus próprios olhos, e você fica tipo “Jesus, isso está tão fodido, estamos fazendo isso de forma errada… Tipo [risos], tão errada”. Então esse álbum é definitivamente um pouco mais profundo nesses grandes temas. Definitivamente há mais maturidade, mas eu acho que ele realmente… Se você ouvir o álbum e, em seguida, vir ver o nosso show, não há muita diferença. Porque nós não… Eu não vou brincar com músicas, porque eu não acredito nisso. Tem que ser rock ‘n’ roll ao vivo. Tudo tem que ser jogado no palco nesse dia. Se você for mal, você vai mal nessa noite. Mas é o que você recebe [risos].

LMV: Deus te abençoe por se sentir assim sobre o rock ‘n’ roll.

TM: Obrigada! Eu sinto que ele se perdeu hoje em dia, especialmente com tudo sendo monitorado e editado. Esse álbum é muito cru – bem nu. Você pode de fato ouvir os integrantes bem mais. É realmente duas guitarras, baixo, bateria, vocais. Sem AutoTune, sem nada. Se está uma porcaria, você refaz, grava novamente. Por isso, capta muito – quero dizer, ainda há uma diferença entre a qualidade de “aqui está um álbum” e “aqui está um álbum ao vivo”. Eu acho que nós realmente desenvolvemos um som, ou nos focamos no que a The Pretty Reckless é e está se tornando com esse álbum.

LMV: Ei, deixe-me perguntar uma coisa: Quando você estava falando sobre o assunto do ábum, você disse sobre “estamos fazendo isto errado”. Você quer dizer a nível mundial, ou nos Estados Unidos, ou quem está fazendo isto errado?

TM: Nós, a nível mundial, tudo. Tudo é tão fodido, o mundo inteiro. E o desequilíbrio de poder está tão fodido. Quero dizer, eu não quero entrar tão profundamente no que as músicas falam porque gosto de deixar a interpretação por parte do ouvinte, porque, particularmente, eu gosto quando um artista que eu amo fala sobre o que a música foi realmente escrita, então isso fode muito pra mim.  Tipo, isso arruína a música pra mim, pois quando eu a ouço, ela me comove de uma certa forma e quando eu ouço a verdadeira história sobre a qual ela é, isso tira de de mim o elemento de “bom, isso me moveu nesta direção, e agora eu sei a porra da história”. Então eu não gosto de falar muito sobre isso. Mas eu penso no mundo todo, como em “Going To Hell”, a música “House On A Hill”, você viaja o mundo e fica chocado com pequenas crianças que não podem comer e mal possuem um teto sobre suas cabeças, e então há uma mansão gigante acima da porra de um morro com as pessoas que são donas de tudo e mandam em tudo. E Violência Jovem [Why’d You Bring a Shotgun to the Party] é outra música. Com todos os tiroteios na escola, como eu poderia não escrever sobre isso? Sei que as pessoas estão falando sobre isso, mas elas não estão falando sobre isso abertamente na música, e eu quero dizer alguma coisa com isso – não necessariamente para aumentar a conscientização para o medo, mas para trazer isso a tona, você entende?  Tipo, é normal sair para u clube e se divertir na noite e não pensar sobre as merdas sérias do mundo, mas quando trouxerem a tona, as pessoas precisam estar falando sobre esses assuntos novamente, e eu acho que é pra isso que o rock ‘n’ roll serve. É um meio para dar às pessoas a liberdade para dizerem a porra que elas quiserem. E se as pessoas gostarem, ótimo, e se elas não gostarem, foda-se [risos]. Entendeu?

LMV: [Risos] Deixa eu te perguntar, falando em significado de músicas. Para mim, a música “Heaven Knows” soa como provocativa, tipo, você realmente quer ir até lá. Eu estou certo, ou você quer dizer algo diferente?

TM: Hum, claro. Quero dizer, mais uma vez, leve-a como você deseja levá-la. Eu não gosto de usar a palavra ‘provocativa’, porque eu acho que é muito clichê e eu acho que ele simplifica demais as coisas. Mas eu odeio a palavra ‘irritável e ‘provocativo’ e ‘obscuro’ ou tanto faz. Pois eu não me considero uma pessimista ou uma otimista. Eu sou um artista, por isso estou constantemente infeliz e consistentemente franca sobre o que estou fazendo. Então, eu nunca estou feliz ou satisfeita. Ao mesmo tempo, eu amo tanto o que faço que eu não trocaria por nada no mundo. [Risos] Então, é a maldição de ser um compositor. “Mas ‘Heaven Knows’ … todo o álbum tem um monte de temas que são executados através dele quando você o ouve, e que está destinado a ser ouvido como um registro da velha escola, onde não é uma coleção de singles, ou “Aqui está uma música de dança, aqui está outra canção. Aqui está uma canção pop, o que for. É uma obra de arte e um pedaço de trabalho onde você escuta todo e ele te conta múltiplas histórias. E quanto mais você ouvir cada música, mais você vai descobrir diferentes significados e coisas diferentes por dentro delas.

LMV: Eu não pude deixar de notar a capa do álbum – você está nua nela.

TM: Sim. [Risos] Novamente, foi interpretado errado pra caralho. Todo mundo, mais uma vez, tem sua opinião e os tabloides estão sempre tentando… Eles tem que escrever uma história sobre alguma coisa. [Risos] Mas isso veio, o conceito, a cruz na minhas costas é o símbolo do álbum – a cruz de “Going To Hell”. A seta que aponta para baixo, para o inferno. Então, isso está em todos os lugares. N o primeiro disco, “Light Me Up”, havia uma imagem de uma menina me representando como criança. Esse álbum, ele não tem minha cara. É muito focado na música, porque eu poderia morrer no dia seguinte, mas eu quero a música para durar e ser algo que eu tenho orgulho. Então, tudo que eu faço, eu levo muito a sério. Assim, a capa do disco surgiu com… Foi uma inspiração em uma capa do Eric Clapton que eu amo, que é a foto das costas de uma mulher e eu queria fazer uma homenagem a isso e realmente tirar uma fotografia linda e ter a cruz como foco dela. Que é o motivo de minha bunda aparecer somente no vinil. Nos outros formatos, ela foi cortada.

LMV: [Risos] Ok.

TM: Hum [risos]. Mas isso veio da ideia de que você vem ao mundo com nada além da sua alma, e você vai embora sem nada a não ser sua alma. Então por que diabos eu estou me impressionando com roupas ou coisas do gênero? Esse álbum foi tão nu e honesto na gravação dele, na escrita dele e eu quis que o visual que o acompanhasse fosse igualmente artístico, transparente e honesto, o que significava nu. E a propósito, todo mundo está nu. Todos nós temos uma bunda, todos nós temos um corpo, e roupas só são as coisas que você coloca para se manter quente.

LMV: A outra canção “Heaven Knows” foi para o primeiro lugar na parada Mainstream Rock. Em primeiro lugar, soa muito melancólico para mim. E em segundo eu sou um grande fã de Led Zeppelin, e eu ouço Led Zeppelin nele. Estou errado em tudo?

TM: Bem, todos nós somos grandes fãs de Led Zeppelin, então eu não diria que você está errado.

LMV:  Eu realmente gosto da música. Há um som blues-rock muito bom nela.

TM: Obrigada! Blues é absolutamente… O rock ‘n’ roll vem do blues. Então blues é definitivamente uma influência sobre nós. É a base de tudo. Então você não está absolutamente incorreto sobre isso. [Risos] Eu cresci querendo ser Robert Plant e Jimmy Page. Então essa é a minha frase que eu digo o tempo todo [risos]. Então, definitivamente não é errado.

LMV: Bem, você tem o meu coração com isso. Eu sou um grande fã de Led Zeppelin, também. Você sente que você amadureceu com este álbum? Eu quero dizer, é que justo dizer isso?

TM: Oh, absolutamente. Quero dizer, o primeiro álbum eu gravei e compus quando eu tinha 15 anos. Eu tinha 20 quando eu escrevi esse novo álbum. A diferença entre 15 e 20 é imensa. Eu era uma garota de 15 anos, agora sou uma mulher de 21. Então eu acho que esse disco é definitivamente mais maduro em muitos aspectos do que o ‘Light Me Up’ foi. Mas eu sou igualmente orgulhosa dos dois discos e igualmente animada para ambos.

LMV: Como você se ligou com a Nickelback para a turnê?

TM: Eu sou um artista e não sou do negócio, por isso não estou realmente certo de como surgiu. Assim deve ser uma turnê divertida. Estamos muito animados para a turnê e não posso esperar para estar cantando todas as novas músicas ao vivo. Estamos empolgados pra caralho para ter todos nos ouvindo.

LMV: Deixe-me fazer mais uma pergunta, e é a partir do final da atuação. Como foi para você “Gossip Girl” ter chegado ao fim e você tem algum filme ou série a caminho? Ou você está apenas se concentrando na música?

TM: Hum, bem, eu sai de ‘Gossip Girl’. Eu nunca foi demitida e os produtores e os escritores deram muito apoio à minha carreira musical. E eles sabiam que eu nunca fui uma atriz – Comecei como atriz, porque você não pode estar lançando um álbum quando você está com 3 anos de idade. E foi um trabalho e pagou meu aluguel, mas quando eu finalmente escrevi um álbum que eu queria lançar, não era mesmo uma pergunta. Foi, ‘eu tenho que ir e isso é o que eu estou fazendo agora. Assim, a música tem sido sempre minha meta de vida e toda a minha vida tem sido em torno de compor. É o que eu faço. Eu vivo para isso. Assim, a intenção é fazer discos e turnês e melhorá-las e melhorá-las enquanto eu estiver viva. E se o papel certo vier algum momento, e for tão perfeito a ponto de eu não conseguir resistir …Então talvez. Mas eu não estou desejando isso de qualquer jeito.

Tradução: Momsen Brasil

Escrito por Lívia Lino | 19/02/2015 | Categorias: Entrevistas
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2 Comentários em “Taylor Momsen para Lehigh Valley Musicque”


Rena Késsia | 07-03-2015 às 22:32 | Responder

Amei essa entrevista! Taylor foi como sempre, muito franca. Uma das minhas entrevistas favoritas! Obrigado Taylor Momsen Brasil por traduzir. Amo a fanpage e o site <3

Gabrielle Polary | 26-04-2015 às 14:46 | Responder

<3


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